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Brasil se prepara para produzir genéricos de semaglutida após queda de patente.

Brasil se prepara para produzir genéricos de semaglutida após queda de patente.

22 Jan, 2026 Saúde

Preços devem cair cerca de 40% e ampliar o acesso a tratamentos para diabetes e obesidade.

Após o fim da patente da semaglutida em 20 de março, laboratórios brasileiros se preparam para iniciar, já em abril, a produção das versões genéricas e similares dos medicamentos Ozempic e Wegovy, amplamente buscados por seus efeitos na perda de peso. Até o momento, a Anvisa recebeu ao menos 13 pedidos de registro para produtos à base da substância, dois deles sob análise acelerada a pedido do Ministério da Saúde.

A expectativa do mercado é de que a concorrência faça os preços caírem cerca de 40%, segundo estimativa da UBS Banco do Brasil Corretora. Se essa projeção se confirmar, a caneta de semaglutida, que atualmente custa por volta de 1.100 reais, poderá ser encontrada por menos de 700 reais até o fim do ano.

Para Nelson Mussolini, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, a tendência de redução é inevitável conforme mais fabricantes disputam espaço. Ele ressalta, porém, que a liberação dos registros depende da comprovação rigorosa de equivalência terapêutica em relação ao medicamento de referência, etapa fundamental para garantir a segurança e a eficácia das novas versões.

A possível queda nos preços reacende o debate sobre a entrada da semaglutida no Sistema Único de Saúde. A Conitec havia desaconselhado sua incorporação em 2023 devido ao alto impacto financeiro estimado, aproximadamente 8 bilhões de reais por ano. Contudo, com a chegada das versões genéricas, o custo pode tornar-se compatível com a rede pública.

O impacto financeiro é sentido diretamente pelos pacientes. A analista de comunicação Fernanda Carem, que utiliza o Wegovy para tratar diabetes desde o ano passado, relata que já desembolsou mais de 7 mil reais e enfrenta dificuldade tanto para encontrar o medicamento quanto para manter a continuidade do tratamento.

O Ministério da Saúde informou que ainda não há previsão para disponibilizar a semaglutida pelo SUS, mas que o governo acompanha o cenário de propriedade intelectual e a evolução do mercado para subsidiar futuras decisões de compra e incorporação tecnológica.

No setor privado, as projeções são de forte crescimento. As vendas de produtos contendo semaglutida podem alcançar 20 bilhões de reais neste ano, quase o dobro do estimado para 2025, refletindo a demanda crescente por terapias relacionadas ao controle glicêmico e ao manejo da obesidade.

Fonte: Conselho Federal de Farmácia